Durante quase um século - a captação de imagens através de película reinou nos estúdios de cinema de todo mundo. Mas, nada dura para sempre. Hoje, há uma revolução engendrada pelas tecnologias digitais está abalando os alicerces desta indústria. E, sem exageros, mudando a forma como se faz cinema.
O Cinema Digital é o futuro, basta olhar e constatar. Não há muito espaço para questionamentos sobre a hegemonia das mídias digitais nas próximas décadas. No entanto, o que tem tirado o sonho dos profissionais do ramo é escolher entre as vantagens de um versus as vantagens de outro sistema. Somos espectadores da transição entre os dois.
Contextualizando. A mídia digital é melhor que a película em todos os aspectos - a exceção de um - a qualidade. O cineasta que opta pelo digital usufruirá de uma série de benefícios, como: menores custos no aluguel e transporte dos equipamentos, facilidades para visualizar o material recém gravado, pós-produção mais viável (não só financeiramente, mas também em termos de tempo despendido) e muitos outros. Porém, a qualidade de captação deste material é inferior.
Por quê?
A película e o digital requerem o entendimento de fenômenos físicos distintos. Película é fotoquímica. É uma reação que ocorre num material (película) devido a adição de energia (luz captada). Enquanto o digital se refere ao famoso e "einsteiniano" efeito fotoelétrico - onde a luz incide sobre uma superfície "arrancando" elétrons e gerando uma corrente. Que, por sua vez, é interpretada pelo sistema na forma de "0"s e "1"s para formar, finalmente, imagens digitais.
O problema é a quantidade de energia (luz) que cada fenômeno requer. A fotoquímica é "explosiva". Tudo mundo sabe que o filme fotográfico se danifica com a menor exposição à luz. Já o digital é, digamos, mais vagoroso. Requer luz mais intensa para produzir a mesma qualidade de imagens.
Se, em condições normais, você filmar a sala da sua casa com película, terá como resultado final algo muito próximo do que os olhos humanos enxergam. Mas, se optar pelo digital, terá imagens mais "escuras", com um jogo de luz e sombras ampliando o contraste e, eventualmente, a profundidade de campo. Nada que um bom trabalho de fotometria e iluminação não amenize, ou até mesmo elimine definitivamente.
É claro, se quizer, pode-se sempre optar pela qualidade da película. Desde você não seja muito avarento. Um filme descente de 2 horas consome, dependendo da cotação de câmbio, algo em torno de R$ 100.000,00 em rolos de películas mais R$ 30.000,00 com revelação. E também requer um grupo de especialista maior, especialmente, pela falta de feedback desta tecnologia. Aqui, só é possível conhecer o resultado final nos laboratórios de revelação. Uma vez que não se pode verificar o material filmado nos sets, só resta confiar na competência de um bom fotógrafo.
Um ponto que foge ao discutido aqui é a distribuição. A maioria dos cinemas não conta com projetores digitais. Os quais são bem mais caros do que um simples data-show ligado a um DVD. Mas, por hoje, chega de papo. Pois, no fundo, a escolha correta depende da subjetividade e ousadia dos realizadores, do caso a caso e, por que não, da sorte.
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